Quem curte livros da área de finanças pessoais com certeza já leu ou pelo menos ouviu falar de “Pai Rico, Pai Pobre”. O empresário, investidor e escritor nipo-americano Robert Kiyosaki ficou muito conhecido após o sucesso deste seu primeiro best-seller (lançado no Brasil em 2000). Depois desse vieram outros livros na mesma linha, como o que eu li ano passado “Guia do Pai Rico”. Este traz detalhes de norte-americanos que seguiram os conselhos do autor e investiram em imóveis. Muitos hipotecaram as próprias casas. Quer dizer, o banco lhes emprestou uma porcentagem do valor da casa tendo o próprio imóvel como garantia do pagamento das prestações. Com esse montante os novos investidores deram entrada em outras casas. E com o aluguel desses imóveis pagavam as prestações da hipoteca. Um negócio fantástico. Onde o maior risco aparente seria não conseguir alugar a casa. Opa, espera aí! Isso hoje não lhe faz lembrar algo familiar? Bingo!
Quando li os livros há alguns anos até me empolguei. Meu pai e meu irmão também leram. As idéias de Robert foram temas de muitas conversas lá em casa. Cheguei a me informar se no Brasil esse tipo de hipoteca também existia, como funcionava. A idéia parecia tão boa, tão boa: nos Estados Unidos, tantas pessoas antes desempregadas, ou mesmo assalariadas virando investidores, adquirindo vários imóveis. Por que não seria um bom investimento?
Mas um belo dia desse ano a surpresa: uma crise de proporções mundiais que começou por conta de que quem entrou nesse negócio não consegue mais pagar as hipotecas. Nos Estados Unidos os problemas começaram ainda em 2004 com a alta dos juros. Como conseqüência da alta inadimplência, as instituições financeiras começaram a quebrar por falta de liquidez. Em seguida uma crise de confiança no mercado bloqueou os empréstimos, a sólida economia do país mais rico do mundo começou a balançar. E a bola de neve que se formou foi atravessando as fronteiras.
Eu não posso dizer (e quem sou eu pra dizer?) que a culpa dessa crise é do Robert Kiyosaki, de maneira nenhuma. O fato é que ele influenciou muita gente a entrar nesse ramo. Em pouco tempo o mercado se viu abarrotado desses novos “investidores”. Talvez o problema deles foi ter confiado demais na estabilidade econômica americana. Não contaram com a alta dos juros e nem com a seqüente especulação imobiliária que fez o valor dos imóveis despencar.
É certo que o tempo de vacas gordas nos Estados Unidos acabaram, e o pior é que no Brasil elas também já estão de dieta! De fato estamos mais bem estruturados pra não sofrer tanto. Às vezes o governo parece otimista demais, mas na verdade está fazendo o papel dele. Tem de segurar até onde der... Imagine se o governo diz agora que as perspectivas não são boas? Causaria ainda mais medo o que travaria ainda mais o mercado.
Pro brasileiro que já estava se acostumando com crescimento econômico, as notícias de férias coletivas em indústrias, cancelamentos de concursos, desistência de contratações, sem falar nas empresas que já tinham anunciado gigantescos investimentos e agora estão segurando pra ver até onde vai essa crise, causa no mínimo receio. Ninguém quer se arriscar a investir em nada. Eu, graças a Deus não hipotequei a minha casa. Mas que já perdi um dinheirinho na bolsa de valores, ah já!
sexta-feira, 17 de outubro de 2008
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